O sacerdócio de Cristo e o Levítico

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A Lição de hoje busca estabelecer um paralelo entre o sacerdócio dos levitas, ou mais apropriadamente, o sacerdócio araônico (já quem nem todos levitas eram sacerdotes, mas somente os filhos de Arão) e o sacerdócio de Cristo, percebendo este como muito superior àquele.

Até a Lição passada tínhamos refletido sobre como Cristo estava tipificado nas coisas ou nos ritos do tabernáculo; hoje veremos como Cristo está tipificado nos próprios oficiais do culto do tabernáculo, a saber, nos sacerdotes.

I. A escolha dos sacerdotes

1. Deus  é soberano nas suas escolhas

O teólogo pentecostal Severino Pedro da Silva lembra-nos que “três sacerdotes, na Bíblia, receberam ofícios sacerdotais diretamente de Deus: Melquisedeque, Arão e Jesus” [1]. Sobre Melquisedeque e Jesus, veremos a correlação tipológica que há entre eles no próximo tópico. Por hora, reafirmemos a soberania divina na escolha de Arão para o sacerdócio levítico a partir da peregrinação no deserto e surgimento da nação de Israel.

A escolha de Arão para o sacerdócio não se deu por indicação de seu irmão Moisés, não foi por voto dos anciãos e líderes das tribos, nem por usurpação do próprio Arão, mas por soberana escolha de Deus. E como já vimos nos capítulos 16 e 17 de Números, os que questionaram essa escolha soberana de Deus amargaram a morte; quanto a Arão, sua escolha foi ratificada quando seu bordão floresceu milagrosamente. Estava, portanto, fechada a questão quanto a necessidade de os sacerdotes serem da tribo de Levi e filhos (ou descendentes) de Arão, irmão mais velho de Moisés.

2. Atribuições dos sacerdotes

Segundo aponta-nos Ellingworth [2], eram três as principais funções do sacerdote e/ou sumo sacerdote:

Primeiro, ministrar no altar, especialmente queimando as ofertas e apresentando o sangue do animal, “a parte mais sagrada da vítima” oferecida em sacrifício ao Senhor.

Segundo, trazer a direção de Deus para o povo, destacando-se aqui o uso do Urim e Tumim pelo qual se teria revelada a vontade de Deus numa situação impossível de ser resolvida pela habilidade humana.

Terceiro, instruir o povo, “não só em questões cultuais, como a distinção entre o santo e o profano, mas também em questões de conduta correta”. Os sacerdotes também foram a princípio intérpretes da Lei para o povo, “e da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do Senhor dos Exércitos” (Ml 2.7). Mas como ressalta Ellingworth, “depois do exílio, essas funções foram exercidas cada vez mais por escribas, tornando-se a área de atividade sacerdotal principalmente restrita ao ritual. No tempo do NT, o ensino foi separado fisicamente da adoração sacrificial e situado na sinagoga”.

3. A consagração sacerdotal

Os sacerdotes também precisaram se lavar com água por ocasião de sua consagração, conforme Êxodo 29.4. Isso denotava a grande pureza moral e a santificação exigida daqueles que compareceriam diante de Deus em favor do povo. Deus chama e dá o dom, mas o homem precisa fazer sua parte, purificando-se de toda sujeira presente em seu coração e em sua mente, para que assim possa apresentar-se a Deus como um “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12.1).

Conforme Êxodo 29.1-35 e 30.22-33, Arão também foi ungido com óleo por ocasião de sua consagração para o serviço santo do Senhor. Inclusive é daí que vem a expressão “é como óleo precioso que desce sobre a barba de Arão” (Sl 133.2). O derramamento do óleo era a confirmação da unção, isto é, o chamado e a capacitação divina para um determinado ofício.

Como bem notou Abraão de Almeida, “Arão foi primeiramente lavado e depois ungido”. Os que quiserem a unção divina, devem se lavar primeiro! Como instruiu Paulo a Timóteo: “De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra” (2Tm 2.21)

II. A vestimenta sacerdotal para o serviço

1. Símbolo da vestimenta sacerdotal

Em O tabernáculo e a igreja (CPAD), Abraão de Almeida desenvolveu um capítulo inteiro sobre as vestes sacerdotais e as devidas aplicações simbólicas de cada uma de suas peças. Mas ele resume: “As roupas santas apontavam para a justiça de Cristo (Ap 19.8), e indicavam que os sacerdotes eram homens ativos e preparados para a obra de Deus” [3].

A mesma inspiração do Espírito que veio sobre os artesãos do tabernáculo estava sobre os tecelões que costurariam as “vestes sagradas” (Êx 28.2). Glória e ornamento revestiam não só o lugar do culto, mas igualmente os oficiais do culto (Êx 28.40). Quando estivessem fora do trabalho, porém, os sacerdotes não precisavam vestir-se distintamente.

Agora na nova aliança, Deus requer ordem e decência no ambiente de adoração (1Co 14.40), mas muito mais que isso, Ele requer santidade dos próprios adoradores aonde quer que eles estejam, mesmo foram do ambiente de culto (Ef 5.15,16; Cl 4.5). “Em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida” – este deve ser o nosso lema de vida (Lc 1.75).

2. A túnica chamada éfode

Embora tivessem também a sua beleza, as vestimentas dos sacerdotes comuns eram simples túnicas longas até as coxas feitas de linho fino branco, com cintos e tiaras (Êx 28.40-43; 39.27). Já as vestimentas do sumo sacerdote traziam muitos detalhes, adornos e cores. São estas as vestimentas descritas em Êxodo 29.1-39. Em ambos os casos, porém, não são mencionados calçados, o que sugere que os sacerdotes serviam descalços, como quando Moisés se descalçou diante de Deus no monte Horebe (Êx 3.5).

Atenção especial é dada no texto bíblico tanto ao éfode (ou estola) como ao peitoral. O éfode era todo ornamentado e com variedade de cores. Sobre ele estava o peitoral, uma espécie de pequeno colete ou sacola quadrada, e no qual estavam o Urim e o Tumim, além de doze pedras preciosas representando as doze tribos de Israel as quais o sumo sacerdote representava diante de Deus. Como as imagens valem mais que palavras, oferecemos abaixo um vídeo com descrições das vestimentas sacerdotais. Assista neste link: